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Relato: Transição capilar e big chop

Big Chop e transição

Amar meu cabelo natural passou a ser um dos meus objetivos logo que entrei no ensino médio. Comecei a conviver com colegas e professoras que tinham  cabelos naturais maravilhosos. Nesse mesmo período comecei a acompanhar a Rayza Nicácio no YouTube e sempre achei os seus cachos lindos. Entretanto, sempre acreditei na ideia de que o meu cabelo não definia, que por ser tipo 2c/3a (ondulado e cacheado), ele ia armar e ficar horrível caso eu abandonasse os processos de alisamento. 



No final de 2015, tentei não alisar o cabelo, fiquei quase seis meses com a raiz grande, natural. Porém sempre ouvia algumas pessoas dizendo que meu cabelo estava horrível, que precisava "dar um jeito nele logo". Mesmo com uma boa parte das madeixas natural, desisti de fazer a transição capilar, ou seja, deixar de alisar o cabelo e assumir a forma natural, e fiz uma selagem em maio de 2016.

Era o meu último ano de ensino médio e, como tinha a formatura no final do ano, alisei novamente o cabelo em dezembro. No momento em que o cabeleireiro passava os produtos químicos na minha raiz e meus olhos, nariz e couro cabeludo começaram a arder, decidi que aquela seria a última vez em que me sujeitaria a um processo pra mudar quem eu sou de verdade. E foi.

2017, como mencionei no post de retorno do blog, foi um ano de muitas mudanças na minha vida. No meio dessas revira-voltas, meu cabelo não ficou imune. Fiquei um ano inteirinho sem alisamento químico, apenas mantinha o liso com o secador, escovando o cabelo todos os dias para disfarças a presença das duas texturas. Porém chegou um momento em que eu sabia que estava na hora de cortar, pois a minha raiz já não aguentava uma escova sem armar.

Voltei para Piedade na metade de dezembro por causa de um casamento em que fui madrinha. Ao lavar o cabelo para o penteado, falei para a minha cabeleireira que estava com a ideia de cortar toda a parte lisa do meu cabelo e perguntei o que ela achava. Ela também tem o cabelo cacheado e me deu um baita apoio, disse que ia ficar bonito e que dava para tirar quase toda a parte que estava com química.

Fiquei mais uma semana em Bauru, entreguei alguns trabalhos da faculdade e só voltei para Piedade na semana do Natal. Passei a comemoração natalina de cabelo meio liso, naquele ponto revoltado: duas texturas e a raiz muito armada. Decidi que queria cortar a parte alisada antes do ano novo, para começar 2018 com uma big mudança.

No Natal minha raiz estava completamente revoltada e eu percebi que estava na hora de fazer o big chop


Mandei uma mensagem para a minha cabeleireira logo que cheguei em Piedade, mas ela não chegou a ver. Mandei outra no dia 27, às 11h, perguntando dos horários disponíveis. Para a minha surpresa ela me respondeu com um: "Vem hoje, às 15h". Fiquei desesperada por dentro, mas mesmo assim decidi ir.

Ela perguntou o quanto eu queria cortar do meu cabelo. Para quem estava acostumada a ouvir: "tira só as pontinhas", respondi com: "corta toda essa parte lisa!". Ela até questionou se eu tinha certeza, mas eu estava decidida do que queria. Finalmente consegui fazer o Big Chop (traduzido como "o grande corte" da parte com química)

Cortei e não me arrependi. O problema veio depois: como finalizar esse cabelo? Como me acostumar com ele curto e ondulado/cacheado? No começo fazia de tudo para ele não ficar volumoso, mas aí percebi que estava fazendo o caminho inverso. Morria de preguiça de fazer fitagem, dedoliss e um bom day after, só passava um ativador de cachos e amassava o cabelo. 

Ainda na fase em que eu só passava o creme e amassava o cabelo, sem finalizar corretamente

Além disso, não conseguia me olhar no espelho. Muitas pessoas me apoiaram e elogiaram a nova aparência, principalmente meu namorado e minha família. Isso me ajudou muito a conquistar a aceitação. Afinal, foram dez anos de cabelo liso, eu não conseguia sequer lembrar de como era o meu cabelo natural.

Outro ponto importante para conseguir assumir os cachos foi a quantidade imensa de produtos e de tutoriais existentes. Há mais ou menos 5 anos, a indústria de cosméticos não fabricava tantos cremes para cabelos ondulados, cacheados e crespos. Por esse motivo, muitas mulheres partiam para o processo "mais fácil": o alisamento. Era muito difícil ter um cabelo cacheado bonito, sem frizz e bem hidratado.

Cabelo no day after, após uma boa fitagem estruturada

Uma boa finalização (vou fazer um post falando das que eu experimentei nesses dois meses) faz toda a diferença nos cabelos cacheados. Como disse, eu morria de preguiça de fazer uma boa fitagem e dedoliss na parte que ainda tem selagem, por conta disso meu cabelo ficava estranho, a frente lisa e o resto cacheado. Aprendi que se eu quero um cabelo bonito, tenho que dedicar um certo tempo para isso.

Depois de quase dois meses do meu Big Chop, posso afirmar que meu cabelo está vivendo a sua melhor fase. Livre de submissão química, mais hidratado do que nunca e fazendo eu me sentir leve, feliz e realizada com quem eu sou: uma ondulada/cacheada.